quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Renovando o pacto.



Na Bíblia o nome de Deus ou a sua própria pessoa aparecem associados a uma lista quase interminável de palavras que lhe atribuem alguma qualidade ou característica. Nas primeiras páginas da Escritura, por exemplo, Deus se revela como o criador de todas as coisas e único ser não criado. Tomando ainda as coisas criadas como referência, vemos nas qualidades das mesmas a nítida associação do ser de Deus à bondade, a ordem e a perfeição. Essa imagem de Deus para muitos parece mudar bruscamente no relato da queda, pois, para essas pessoas ali Adão não mais estava diante do Deus bom, mas diante do Deus que condena. Essa compreensão me parece, todavia, não perceber que mesmo diante do pecado de Adão – uma afronta a santidade de Deus – temos pintado um dos quadros mais belos da personalidade divina: a justiça e a graça em Deus de mãos dadas numa mesma tela bíblica.
A despeito de exemplos como esses retirados do livro Gênesis se multiplicar por toda a Escritura Sagrada, a história da redenção nos apresenta um imagem de Deus que parece ter uma posição de destaque: “O Deus da Bíblia é o Deus da aliança”. Palmer Robertson abordando esse assunto nos traz um importante esclarecimento. Ele nos Diz que “Deus entrou, repetidamente, em relação de aliança com indivíduos. Referências explícitas encontram-se na aliança divina estabelecida com Noé (Gn 6.18), Abraão (Gn 15.8), Israel (Êx 24.8) e Davi (Sl 89.3)”[1].
A aliança, ainda segundo Robertson, foi também à base do relacionamento entre Deus e Adão no Jardim do Édem, pois “Um pacto de vida e morte está claramente presente entre Deus e o homem recentemente criado (Gn 2.15-17)”[2], bem como à base do relacionamento entre Cristo e a Igreja, posto que é sobre o pano de fundo da antiga aliança que a nova é celebrada no sangue de Jesus.
Segundo a análise desenvolvida pelo Dr. Robertson, somos levados a entender que “Da criação à consumação o pacto da aliança tem determinado a relação de Deus com o seu povo”[3] e que a natureza desse relacionamento envolve compromissos e consequencias[4].
O relato bíblico nos revela que não poucas às vezes o povo de Deus desprezou a sua aliança e veio a sofrer por isso. “A devastação nacional de Israel pode ser entendida somente em termos da aliança mosaica”[5]. Isso significa dizer que “O exílio ocorreu porque Israel não guardou os mandamentos e estatutos de Deus de acordo com a lei de Moisés” (cf. 2Rs 17.33ss.)[6].
É importante, no entanto, observar que na quebra da aliança por parte do povo de Deus, como no exemplo já citado da queda de Adão, temos também a manifestação da graça divina na busca que Deus, reiteradas vezes, empreendeu para restabelecer o relacionamento pactual com o povo que elegera. O ministério profético é talvez o maior exemplo bíblico dessa disposição divina de preservar a aliança com o seu povo registrada no Antigo Testamento.
No ministério de Jeremias temos um ótimo exemplo dessa disposição divina. Num tempo onde o povo se dividia “entre a adoração idólatra de deuses estrangeiros, profundamente enraizada desde o reinado de Manassés (696-642 a.C.), e a adoração ao Senhor, que Josias tentou restaurar com sua reforma”[7], Deus levou o profeta Jeremias para fazer conhecida as suas palavras ao seu povo:

Assim diz o SENHOR: Que injustiça acharam vossos pais em mim, para de mim se afastarem, indo após a nulidade dos ídolos e se tornando nulos eles mesmos, e sem perguntarem: Onde está o SENHOR, que nos fez subir da terra do Egito? Que nos guiou através do deserto, por uma terra de ermos e de covas, por uma terra de sequidão e sombra de morte, por uma terra em que ninguém transitava e na qual não morava homem algum? Eu vos introduzi numa terra fértil, para que comêsseis o seu fruto e o seu bem; mas, depois de terdes entrado nela, vós a contaminastes e da minha herança fizestes abominação. Os sacerdotes não disseram: Onde está o SENHOR? E os que tratavam da lei não me conheceram, os pastores prevaricaram contra mim, os profetas profetizaram por Baal e andaram atrás de coisas de nenhum proveito”[8].

Essas palavras nos mostram que o povo de Judá vivia em completa apostasia; os mestres da lei não possuíam intimidade com Deus, os pastores agiam de má fé em busca de benefício próprio e os profetas haviam abandonado o cominho do Senhor. Todavia, essa não é a única imagem que emerge do texto. Ali também é possível ver o Deus da graça disposto a restaurar a aliança com seu povo.
É interessante, entretanto, observar que esse mesmo Deus misericordioso e que mostra disposição para renovar a sua aliança é também o Deus que se auto-revela como aquele que não vê com bons olhos a quebra da aliança. O profeta Malaquias, por exemplo, fez o povo de Judá, no período pós-exílio, entender essa verdade: “Porque o SENHOR, Deus de Israel, diz que odeia o repúdio [...], portanto, cuidai de vós mesmos e não sejais infiéis”[9].
Aqui o profeta Malaquias, por inspiração divina, condena o divórcio praticado pelos filhos de Israel e conclui que a dissolução do casamento praticado pelos mesmos, em última análise, era uma manifestação da infidelidade daquele povo para com a lei de Deus, isto é, uma profanação da aliança que Deus havia estabelecido com aquele povo[10].
No livro de Oseias encontramos outra descrição de como Deus não vê com bons olhos a quebra de sua aliança. Oseias é levado por Deus a condenar as atitudes dos sacerdotes de Israel, visto que eles haviam abandonado o compromisso que tinham de instruir os seus irmãos na lei do Senhor. A condenação declarada por Oseias, visto que Deus odeia a quebra da aliança, é duríssima: “Porque tu, sacerdote, rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim; visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos”[11].
Isso nos mostra que Deus tem relado ao longo da história da redenção um conceito elevadíssimo de aliança. O próprio Cristianismo é uma realidade por causa da fidelidade de Deus a aliança que firmou ainda nos dias de Adão e veio confirmado e renovando ao longo da história.
A partir desse elevado conceito de aliança que temos em Deus, devemos nos questionar: Qual é o nosso conceito de aliança? Acredito que precisamos fazer uma reflexão dessa natureza, pois, como nos levaram a entendem os profetas, a nossa relação com as coisas desta vida, em última análise, retrata a aliança que temos com Deus.
Como os batistas creem “que uma igreja visível de Cristo é uma congregação de crentes batizados, que se associam por um pacto na fé e comunhão do Evangelho”[12] esse debate se reveste de especial significado para os membros de uma igreja batista. Isso na prática implica dizer que ninguém é obrigado a ser um crente batista, contudo, se decidiu servir a Deus por meio da tradição batista deve honrar a aliança que fez com os seus irmãos diante do Deus da aliança.
Para os pastores batistas nacionais a necessidade de refletir sobre essa questão é ainda maior, pois, além de ter que observarem o pacto batista nacional na qualidade de membros da igreja, devem também estar engajados no trabalho de conduzir aqueles que se encontram aos seus cuidados a se manterem fiéis ao compromisso que assumiram com a igreja diante de Deus.
Diante dessa responsabilidade que nos impõe o pacto batista nacional, precisamos nos questionar: A Bíblia, de fato, tem sido a nossa “única regra de fé e prática”? Temos “aceitado a Declaração de Fé das Igrejas Batistas Nacionais” como um resumo daquilo que acreditamos?[13] Demonstramos, em nosso viver cotidiano, “o fruto que nos identifica como verdadeiros discípulos de Cristo”?[14] Estamos engajados na promoção de “nosso aperfeiçoamento individual e coletivo através da prática devocional da oração fervorosa, da leitura e estudo assíduo da Bíblia e da participação nas reuniões de culto público e familiar”?[15] Como tem andado o nosso zelo na propagação da fé, cooperação com as demais igrejas batistas e cuidado com os outros irmãos?[16]
A atmosfera batista nacional nos revela que em grande medida temos desprezado esse pacto. Quando, por exemplo, nos propomos a discutir a ordenação feminina tendo como base as demandas da pós-modernidade ou a agenda do feminismo, em detrimento daquilo que nos ensina claramente a Escritura Sagrada – aquilo que confessamos ser a nossa regra de fé e prática por excelência – não estamos desprezando o pacto que firmamos com as nossas igrejas? Quando seguimos apoiados no pragmatismo de nossos dias, em detrimento da fé que nos legaram os nossos pais, não estamos igualmente desprezando o pacto que firmamos com as nossas igrejas?
Diante de nosso desprezo para com fé de nossos pais, deveríamos nos lembrar que Deus tem um conceito elevado de aliança; deveríamos também nos lembrar que, justamente por ter um conceito elevado de aliança, Deus não vê com bons olhos a quebra da aliança. A consciência dessas verdades deve nos levar ao caminho do arrependimento e da renovação da aliança que firmamos com as nossas igrejas.
Reafirmar o compromisso com o pacto, sem dúvida alguma, trará para as igrejas batistas nacionais inúmeros benefícios, tais como o resgate de sua identidade e a promoção da unidade. Sem falar que as igrejas batistas nacionais unidas entorno do pacto – que nada mais é do que o compromisso de servir a Deus com todas as suas forças – serão luz para um mundo em trevas e um hino de louvor ao Deus de pactos.
_____________________
[1] ROBERTSON, Palmer. O Cristo dos Pactos. 1ª Edição. São Paulo: Cultura Cristã, 2002, p. 09, 2002
[2] Ibidemp. 28
[3] Ibidemp. 29
[4] Ibidem, p. 20
[5] Ibidem, p. 37
[6] Idem
[7] Notas de Estudo da Bíblia de Genebra, p. 859.
[8] Jeremias 1.5-8
[9] Malaquias 2.16.
[10] Malaquias 2.10.
[11] Oséias 4.6.
[12] Manual Básico do Batistas Nacionais e Manual da Ormiban. Convenção Batista Nacional, Brasília - DF, 2002, p. 25
[13] Ibidem, p. 33
[14] Ibidem, p. 34
[15] Idem, p. 34
[16] Idem, p. 34
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Autor: Hebert Leonardo Borges de Souza, Ministro Batista, Bacharel em Teologia pelo Seminário Teológico Batista Nacional de Pernambuco e Licenciado em Fśica pela Universidade Federal Rural de Pernambuco.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Por que perdemos a identidade?



O bispo Robinson Cavalcanti escreveu por muitos anos para a revista Ultimato. Recetemente uma série desses artigos foram organizados no pequeno livro: “A igreja evangélica: identidade, unidade e missão”. Em um desses textos, fazendo uma análise da igreja brasileira, o bispo destaca:

As missões protestantes históricas que se estabeleceram no Brasil entre 1855 e 1901 foram todas marcadas por uma identidade evangélica, o que significava um alto grau de consenso teológico, a despeito de diferenças periféricas, como sentido e forma dos sacramentos/ordenanças ou formas de governo eclesiástico”[1].

Isso, como também observado pelo próprio bispo, na prática tinha o seguinte significado:

As igrejas congregacionais, presbiterianas, metodistas, batistas, episcopais e cristãs evangélicas partilhavam de uma herança e de uma teologia em comum; um legado que, vindo da Reforma Protestante do Século 16, incluía traços de puritanismo, pietismo, avivalismo e movimento missionário”[2].

Esse consenso foi mantido entre as igrejas históricas brasileiras por mais de um século”[3]. O bispo associa a perda desse consenso entre as igrejas brasileiras ao surgimento do pentecostalismo pré-milenista, pré-tribulacionista e isolacionista a partir de 1910 [4].

Os batistas nacionais em sua última assembleia geral de âmbito nacional, realizada na cidade paulista de Águas de Lindóia, parecem reconhecer que esse processo de perda de identidade que se inciou entre as igrejas evangélicas brasileiras em 1910 tem afetado as igrejas batistas nacionais. Esse reconhecimento se manifesta claramente na atitude dos líderes dessa denominação em trazer para mesa de debate de sua mais importante reunião o mesmo tema debatido pelo bispo Robinson Cavalcanti anos antes: Unidade, Identidade e Missão.

Outro exemplo de que os batistas nacionais reconhecem a necessidade de refletir sobre a sua identidade se manifesta claramente nas palavras do pastor José Carlos da Silva, ex-presidente da Convenção Batista Nacional, publicas no periódico “O Batista Nacional:

Sucessivas ondas de movimentos transconfessionais batem na porta das igrejas. A ênfase nos ministérios de libertação (maldição hereditária e cura interior) na década de 90 foi um desses movimentos que entrou em diversos segmentos e deixou raízes. A fase dos ministérios de família, com seus programas e cursos que servem para qualquer denominação, etc. Mais recente e mais contundente é o movimento das igrejas celulares. Também entrou em diversos setores confessionais, de modo que muitas igrejas locais se definem hoje como batista celular, por exemplo”[5].

Podemos encontrar nessa declaração do pastor José Carlos o reconhecimento de que as igrejas – onde se deve incluir as batistas nacionais – vem sofrendo com a influência daquilo que ele descreveu como movimentos transconfessionais e que esse sofrimento encontra sua materialidade na perda de identidade dessas igrejas.

Diante do reconhecimento dos batistas nacionais de que precisam debater sobre o importante tema destacado acima e na qualidade de membro de uma igreja batista nacional, faço o seguinte questionamento: Por que perdemos a nossa identidade?
 
Antes de debater esse tema, precisamos entender duas coisas. Primeiro, precisamos entender que essa reflexão pode contribuir de forma significativa para o desenvolvimento de nossa comunhão [unidade] e missão. Segundo, precisamos entender que para problemas antigos não precisamos de respostas novas. É nesse sentido que podemos encontrar uma resposta para o nosso questionamento acima. Com isso estou querendo dizer que lidar com as questões de identidade, unidade e missão sempre foi e sempre será um grande desafio para o povo de Deus.

Tomemos como exemplo o povo de Deus no tempo dos juízes. O livro que relata esse período da caminhada do povo de Deus é fechado com as seguintes palavras: “Naquele tempo não havia rei em Israel, e cada um fazia o que lhe parecia melhor”[6].
 
Essa não nos parece uma forma muito interessante de terminar uma história. Certamente, se a Bíblia não fosse um livro inspirado por Deus esse não teria sido o final desse livro. Pois, um autor humana teria retocado esse trecho do texto para deixá-lo mais atraente como, por exemplo, vemos nos finais de filmes que assistimos na “Seção da Tarde”.
 
Mas, como a Bíblia é a palavra de Deus e Ele não encobre o pecado de seus filhos, vemos retratado no último verso do livro de Juízes o estado caótico em que seu povo havia chegado: sem unidade [o rei representava a unidade], sem identidade [cada um fazia o que lhe parecia melhor] e fracasso no desenvolvimento da missão que o próprio Deus havia lhes encarregado.

Esse retrato é bem diferente daquele projetado por Deus ao chamar Abraão da terra de Ur dos Caldeus para fazer dele e de sua descendência uma benção para as nações, como encontramos em Gênesis:

O Senhor disse a Abrão: Deixa tua terra, tua família e a casa de teu pai e vai para a terra que eu te mostrar. Farei de ti uma grande nação; eu te abençoarei e exaltarei o teu nome, e tu serás uma fonte de bênçãos”[7].

Como podemos explicar essa triste realidade vivida pelo povo de Deus no tempo dos juízes? Como o povo de Deus pode ter chegado a um estado tão caótico como esse? Como entender essa situação que o livro de Juízes nos apresenta?

O próprio livro de Juízes nos ajuda construir uma resposta para esses questionamentos:

Serviu o povo ao SENHOR todos os dias de Josué e todos os dias dos anciãos que ainda sobreviveram por muito tempo depois de Josué e que viram todas as grandes obras feitas pelo SENHOR a Israel. Faleceu Josué, filho de Num, servo do SENHOR, com a idade de cento e dez anos; sepultaram-no no limite da sua herança, em Timnate-Heres, na região montanhosa de Efraim, ao norte do monte Gaás. Foi também congregada a seus pais toda aquela geração; e outra geração após eles se levantou, que não conhecia o SENHOR, nem tampouco as obras que fizera a Israel”[8].

Nesse texto encontramos a causa do caos que havia se instalado em Israel no tempo dos juízes: um geração que não conhecia o Deus de seus pais e não sabia das suas obras. Para usar uma linguagem moderna, poderíamos dizer que o grande problema de Israel fora abandonar a fé de seus pais para seguir o curso do mundo.

Essa, infelizmente, também tem sido a causa de nossa perda de identidade, falta de unidade e fracasso missionário. A solução para nosso problema, portanto, está no regresso a fé de nossos pais; a antiga confessionalidade que nos deixaram aqueles que trilharam a caminhada cristã com o Deus da aliança muitos anos antes de nós existirmos.

Nesse sentido, o meu pensamento parece alinhar-se com o do pastor José Carlos [o que muito me alegra]:

Na falta de uma boa formação confessional, facilmente penetraram práticas estranhas ao modelo batista: a judaização do culto, a israelatria turística, o movimento neo-apostólico e a teologia da prosperidade diluída em pílulas douradas, para sustentar financeiramente empreendimentos cada vez mais grandiosos e ministérios ególatras (quem tem ouvidos ouça)”.

Gostaria de frisar, todavia, que o que mais me alegra é saber que esse pensamente se alinha com os pensamentos do próprio Deus, como podemos ver claramente nas palavras que traz ao profeta Jeremias:

Assim diz o SENHOR: Ponde-vos à margem no caminho e vede, perguntai pelas veredas antigas, qual é o bom caminho; andai por ele e achareis descanso para a vossa alma; mas eles dizem: Não andaremos”.

___________________
[1] CAVALCANTI, Robinson. A igreja evangélica: identidade, unidade e missão”, Viçosa - MG. Ultimato, 2013, p. 8.
[2] Ibidem, p 11.
[3] Ibidem, p 8.
[4] Ibidem, p. 9.
[5] SILVA, José Carlos. Pneumáticos e Psíquicos. O Batista Nacional, Janeiro/Fevereiro/Março/Abril de 2013, p. 2.
[6] Juízes 21.25.
[7] Gênesis 12.1,2.
[8] Juízes 2.7-10.
[9] Jeremias 6.16

Autor: Hebert Leonardo Borges de souza, ministro batista, bacharel em teologia pelo Seminário Teológico Batista Nacional de Pernambuco e Licenciado em Física pela Universidade Federal Rural de Pernambuco. 
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