quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Por que ninguém falava bem de Diótrefes?


A terceira carta de João é uma daqueles trechos da Escritura Sagrada que raramente lemos em nossas igrejas. Para falar a verdade, embora não venhamos a gastar mais do que dez minutos para fazer a leitura dessa carta, estou convencido de que nem mesmo em nossos lares esse pequeno texto tem sido contemplado em nossas leituras. A despeito de nosso desprezo para com essa carta de João, esse é um texto extremamente interessante e atual. Ele nos fornece um retrato da igreja primitiva que muito se assemelha ao retrato da igreja cristã na atualidade em muitos aspectos.

O texto nos fala primeiramente de um homem chamado Gaio; muito provavelmente um dos líderes dessa igreja. Esse homem, como se pode depreender da leitura da carta de João, acolhia e encaminhava os mestres e missionários itinerantes que viajam de cidade em cidade ajudando a estabelecer novas congregações [1].

Este trabalho desenvolvido por Gaio de acolher e encaminhar os missionários que saiam pelo mundo, sem sustento determinado, para implantar novos trabalhos, nos primeiros anos do Cristianismo, ganhou notoriedade e chegou até os ouvidos do apóstolo João [2]. Com base neste bom testemunho que os missionários traziam a respeito de Gaio, João, cheio de alegria, dirige uma carta a Gaio, a quem chama de seu filho, a fim de encorajá-lo em seu ministério de apoio amoroso para com aqueles que decidiram servir a Deus especificamente no estabelecimento de novas comunidades. Pois, fazendo isso, diz o apóstolo João, o seu amado filho estaria não só caminhado na verdade, mas também se tornando um cooperador na promoção da mesma [3]

É interessante, entretanto, observarmos que Gaio não era o único líder dessa igreja para qual o apóstolo João endereçou a sua terceira carta. É também provável que ele não fosse o líder mais “influente” nessa comunidade cristã do primeiro século. Essas são questões que podemos extrair da própria carta de João com relativa facilidade.

Esse outro líder de maior “influência” do que o próprio Gaio chama-se Diótrefes [4]. Pelo desenvolvimento da carta joanina, somos levados a inferir que Diótrefes era alguém de personalidade forte, muito inteligente e capaz de exercer forte liderança sobre a vida da igreja. Um líder, portanto, para muitos, acima de qualquer questionamento. Contudo, a despeito de suas qualidades pessoais e da função que ocupava na igreja, a fama de Diótrefes não era boa. Ninguém falava bem dele. Diferente de Gaio, ele não tinha um bom testemunho.

Por que ninguém falava bem de Diótrefes? Por que, diferente de Gaio, o seu testemunho era péssimo? O apóstolo João nos leva a entender as inúmeras razões do péssimo testemunho deste líder da igreja primitiva através desse trecho de sua carta:
         
Escrevi alguma coisa à igreja; mas Diótrefes, que gosta de exercer a primazia entre eles, não nos dá acolhida. Por isso, se eu for aí, far-lhe-ei lembradas as obras que ele pratica, proferindo contra nós palavras maliciosas. E, não satisfeito com estas coisas, nem ele mesmo acolhe os irmãos, como impede os que querem recebê-los e os expulsa da igreja” [5].    

Primeiro, Diótrefes era alguém que não se sujeitava a autoridade apostólica. Percebemos isso, quando o apóstolo João declara para Gaio que havia escrito alguma coisa para a igreja. Nesta carta, talvez, João tivesse tratado da necessidade desta igreja acolher e enviar os missionários itinerantes. Contudo, como observa o próprio João, Diótrefes não havia dado a mínima atenção para as suas palavras. Sendo essa, portanto, uma atitude de completo desrespeito para com o apóstolo.    
           
Segundo, Diótrefes era alguém que gostava de exercer a primazia entre os irmãos da igreja. Noutras palavras: Diótrefes tinha sede pelo poder. O seu ideal era manter-se sempre no primeiro lugar. A igreja não era, portanto, o lugar onde ele desenvolveria o seu ministério, o serviço ao Senhor e aos seus irmãos, mas o lugar onde encontraria aqueles que o servissem.
            
Essa característica de Diótrefes torna-se ainda mais evidente em três de suas atitudes destacadas pelo apóstolo João: Ele não acolhia os irmãos (uma referência aos mestres e missionários itinerantes), impedia aqueles que desejam recebê-los e, por fim, os expulsava da igreja. É bem provável que Diótrefes tenha apresentado boas justificativas para as atitudes que estava tomando. Talvez tenha dito para a sua igreja que suas ações tinham em vista manter a igreja pura de influências negativas. Não podemos negar que, não poucas vezes, os pastores devem agir para proteger suas igrejas da influência de lobos devoradores e o próprio apóstolo João parece reconhecer essa realidade em sua segunda carta [6]. Esse, contudo, não era o caso de Diótefres. O que ele intentava realmente era manter a igreja sob o seu domínio; torná-la sua propriedade particular e isso estava sendo ameaçado pelo fluxo de líderes em sua igreja.

Terceiro, Diótrefes era um líder caluniador. Ele, literalmente, espalhava mentiras sobre o apóstolo João e os seus colaboradores. A Nova Tradução da Linguagem de Hoje, procurando nos aproximar do sentido do texto grego, nos diz que Diótrefes não apenas pronunciava mentiras contra João e os seus, mas que as suas mentiras eram horríveis.
            
Qual o objetivo de Diótrefes com essas mentiras? Essa, sem dúvida, era uma estratégia para desacreditar o apóstolo João e os mestres e missionários itinerantes que colaboram com o seu ministério de implantação de novas congregações e assim se perpetuar no poder.
            
Por essas razões ninguém falava bem de Diótrefes e o apóstolo João orientava a Gaio para que não o tomasse exemplo. Isso porque, acrescenta João, apesar de Diótrefes está na liderança de uma igreja, ele não possuía as marcas de um verdadeiro cristão, ou seja, a prática do bem [7].
            
Essa pequena carta de João traz importantes lições, como dito, para a igreja em nossos dias:
            
Primeira, não precisamos nos deslocar para um lugar distante, deixar nossos familiares, abandonar nossos empregos, passar dificuldades extremas para se envolver com a atividade missionária. O exemplo de Gaio nos mostra justamente isso. Ou seja, sem deixar os nossos lares e igrejas podemos nos envolver intensamente com a missão. Gaio fazia isso, por exemplo, acolhendo e encaminhado missionários.  
            
Segunda, atividade missionária não é um programa da igreja ou um culto em algum domingo do mês. João nessa pequena carta, especificamente no elogio e incentivo que traz a Gaio, nos leva a entender que fazer missões é estar envolvido com a promoção da verdade. Isso, sem dúvida algum, é algo que precisamos observar.   
            
Terceira, a igreja, muitas vezes, sofre nas mãos de uma liderança anticristã. São homens inteligentes, carismáticos e com boa capacidade para dirigir a igreja. Líderes, para a grande maioria, acima de quaisquer suspeita. Todavia, como Diótrefes, são homens com sede pelo poder e nessa busca insaciável pelo poder revelam o seu verdadeiro caráter, ou seja, esses homens se mostram insubmissos, dominadores, arrogantes, presunçosos, mentirosos e inconsequentes.     
            
Observando esse tipo de liderança, retratada por meio de Diótrefes em sua carta, João nos declara que essa espécie de líder não é crente; não conhece a Deus; é um ímpio tentado fazer da igreja sua propriedade particular. O seu conselho para aqueles que sofrem com esse tipo de liderança, como Gaio, é o seguinte: “não imiteis o que é mau” [8].
           
A palavra aqui traduzida por imitar também poderia ser traduzida por mímica, o que aponta para a ideia de acompanhar os movimentos de outra pessoa. A forma como João coloca essa palavra em sua carta nos leva a entender que se Gaio decidisse seguir os passos de Diótrefes, deveria esta ciente de que estaria fazendo algo que não traria nenhum benefício para a sua vida. Infelizmente, muitas igrejas ainda não conseguiram entender essa verdade aqui ensinada pelo apóstolo João, pois continuam a seguir os passos de líderes que não trazem quaisquer benefícios para as suas vidas, isso porque são líderes que não possuem a nova vida em Cristo Jesus.  
            
Quarta, a carta de João, quando retrata o estilo de vida de Gaio e Diótrefes, nos ensina que o modo como tratamos as pessoas e as coisas sobre nossa responsabilidade revelam o nosso caráter. Gaio, como coloca João, era alguém que não só caminhava na verdade, mas também havia se tornado um promotor da mesma [9]. A vida de Gaio não era uma vida de discurso vazio, mas, acima de tudo, uma vida de prática da verdade. Diferente de Gaio, Diótrefes, embora no cargo de maior importância da igreja, era alguém apegado ao poder, mas desapegado da verdade [10]. Por meio desses frutos, Diótrefes revelava a sua verdadeira natureza; um homem que não conhecia a Deus [11].
            
Fazer essa distinção entre os bons líderes e aqueles de conduta duvidosa, como coloca o apóstolo João em sua carta, é algo que o próprio Jesus havia ensinado aos seus discípulos quando, numa referência aos falsos profetas, falava sobre a árvore má e a sua incapacidade de produzir frutos bons [12]. A igreja em nossos dias, como no tempo de Gaio, precisa urgentemente aprender a fazer essa distinção, pois, como naqueles dias, existem muitos Diótrefes hoje.              
            
Por fim, o apóstolo João nos leva a inferir em sua carta que aquilo de ruim que muitas vezes ouvimos falar sobre determinada igreja possui fundamento. Isso quer dizer que a própria igreja, de alguma forma, tem contribuí para a manutenção de um péssimo testemunho ao seu respeito. Muitas vezes faz isso por meio de seus líderes mais influentes, como no caso de Diótrefes que tentava fazer da igreja sua propriedade particular, outras vezes, por meio de seus próprios integrantes que também não andam de acordo com a verdade.
            
Todavia, se é certo que uma igreja pode contribuir para destruição de sua imagem por meio das ações de seus líderes e membros, também é verdade que uma igreja pode trabalhar no sentido oposto. Esse era o caso de Gaio; homem que andava na verdade e estava também comprometido com a promoção da mesma. Por isso, diferente de Diótrefes, as pessoas falavam bem dele. Por isso também o apóstolo João o elogiou e o incentivou a permanecer em sua caminhada.
            
Não Diótrefes, que se conduzia de maneira anticristã e por isso não possuía um bom testemunho, mas Gaio, um homem que andava na verdade, deve ser o paradigma para a igreja em nossos dias. Assim construiremos um testemunho melhor para a igreja e alcançaremos a graça do povo ao mostra ao mundo a luz de Deus o nosso Pai [13].             

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[1] 3 João 6-8.
[2] Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal, p. 1793.
[3] 3 João 4, 8.
[4] 3 João 9.
[5] 3 João 9-10.
[6] A segunda carta de João orienta como a igreja deveria agir com os falsos mestres itinerantes do I século. 
[7] 3 João 11.
[8] 3 João 11.
[9] 3 João 4, 8.
[10] 3 João 9, 10.
[11] 3 João 11.
[12] Mateus 7.15-20.
[13] Mateus 5.16.


Autor: Hebert Leonardo Borges de Souza, ministro batista, bacharel em teologia pelo Seminário Teológico Batista Nacional de Pernambuco e licenciado em física pela Universidade Federal Rural de Pernambuco

sábado, 18 de janeiro de 2014

Bebês devem ser batizados?


WATSON, T. E. Bebês devem ser batizados? 1ª Ed. São José dos Campos - SP: Ed. Fiel, 1999.

Batizar crianças é uma prática que tem fundamento bíblico? A grande maioria dos reformados entende que sim, embora não sejam muitas vezes capazes de apresentar esse fundamento de uma maneira simples e objetiva. Seguindo uma direção contrária a grande maioria dos reformados, T. E. Watson procura demonstrar em seu livro, “Bebês devem ser batizados?”, que não existe base bíblica para a prática do batismo infantil entre os reformados.

É interessante observarmos que Thomas E. Watson fora inicialmente um pedobatista. Ele começou a trilhar o caminho do pedobatismo para o credobatimo enquanto se preparava para o ministério anglicano. Nesse processo preparatório, ele começou a questionar a posição da Igreja Anglicana quanto à regeneração batismal, bem como a visão de muitos puritanos sobre o batismo infantil. Convencido pelas Escrituras, pela própria falta de consenso entre aqueles aceitavam o batismo infantil na defesa do assunto e também pela percepção de que o batismo não era algo de menor importância, Watson veio a rejeitar cada ponto ofertado em defesa do batismo infantil.

O livro de Watson e justamente uma refutação desses pontos apresentados em defesa do batismo infantil. O método consiste basicamente na apresentação e refutação de cada um desses pontos. É nesse processo que Watson demonstra, além da falta de base bíblica em defesa do batismo infantil, a incongruência dos argumentos de seus defensores.

Os primeiros cinco capítulos são organizados em forma de perguntas: Os Judeus batizavam criancinhas? João Batista batizava criancinhas? Jesus batizava criancinhas? Jesus ordenou o batismo de criancinhas? Os apóstolos batizaram criancinhas? Não encontrando uma resposta positiva para esses questionamentos, Watson prossegue no próximo capítulo – o sexto – em busca de evidências indiretas, ou seja, alguma fonte bíblica que pudesse servir de base indireta para a prática do batismo infantil. Assim, Watson procede a uma análise de dois textos amplamente utilizados em defesal  do batismo infantil nesse sentido – 1 Coríntios 714 e Colossenses 2.11-12 – mas não encontra qualquer evidência indireta nesses textos que justifique tal prática.

Os próximos passos de Watson é demonstrar que não faltam apenas fontes indiretas no Novo Testamento em apoio ao batismo infantil, mas que o batismo infantil, além de não ser autorizado pelo Novo Testamento é inconsistente com essa porção da Sagrada Escritura.

Após analisar no capítulo 9 o frágil argumento da antiguidade em defesa do batismo, demonstrando que a prática de batizar crianças veio a ser uma realidade no ceio da igreja por volta do II século e mesmo assim questionada por Tertuliano de Cartago, Watson passa a análise dos argumentos do Antigo Testamento, do argumento da Igreja de Charles Hodge e do argumento "aliança" JG Vos ".

No primeiro argumento, a base para a ordenança do batismo infantil está no Antigo Testamento e não no Novo, como deveríamos esperar. O segundo argumento, de certa forma, apóia-se num conceito de igreja que temos dificuldades de encontrar nas Escrituras, principalmente no Novo Testamento onde as sobras, segundo a tradição neotestamentária, se dissipariam. O último, por sua vez, desenvolve um conceito de aliança não menos fácil de assimilar para que os infantes possam, finalmente, ser batizados.

Nos últimos dois capítulos, Watson apresenta um toque mais pessoal ao seu trabalho. Ele declara que o batismo infantil é um retrocesso, visto que procura apoio onde não deveria buscar, como, por exemplo, na relação de hereditariedade presente no Antigo Testamento e tão preservada pelos fariseus na época de Jesus. Além disso, na visão de Watson o batismo infantil também causa uma serie de males, pois trai a causa da Reforma, distorce o significado do batismo cristão, destrói a maneira correta de professar a fé em Cristo ao criar uma falsa esperança e desonram o nome de Cristo.

Watson após chamar os seus leitores a uma reflexão sobre o tema e ainda a uma releitura de sua obra, caso não estejam convencidos de que batizar crianças fere a sã doutrina, conclui dizendo, para aqueles que entenderam a questão, que o batismo infantil não é o batismo cristão, que essa prática deve parar e que cabe ao verdadeiro discípulo de Cristo e trabalhar para isso.

A obra de Watson ainda conta com três apêndices. O primeiro trata sobre a prática de abençoar bebes. O segundo é uma espécie de re-análise do argumento da antiguidade. O terceiro, extremamente interessante, mostra a incongruência entre a definição de batismo apresentada na Confissão de Fé de Westminster e a prática do batismo infantil.   

A obra de Thomas E. Watson é extremamente útil para aqueles que desejam compreender um pouco mais as questões envolvidas no batismo infantil e as bases onde ele tenta se estabelecer.

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Autor: Hebert Leonardo Borges de Souza, ministro batista, bacharel em teologia pelo Seminário Teológico Batista Nacional de Pernambuco e licenciado em física pela Universidade Federal Rural de Pernambuco.    

Um recado para Arquipo.


Na província da Ásia, na região onde se localiza atualmente a Turquia, no vale do rio Licos, existia uma cidade chamada Colossos. Nessa pequena cidade de nome estranho – mostruosidade - havia uma pequena igreja composta, em sua grande maioria, de crentes de origem gentílica. Não sabemos ao certo como essa igreja veio a surgir, mas, se tomarmos como referência a carta do apóstolo Paulo endereçada a essa igreja, somos levados a crer que essa comunidade fora fruto do trabalho de um homem chamado Epafras. Ele, segundo o apóstolo Paulo, fora o instrumento utilizado por Deus para instruir na fé cristã aquelas pessoas que constituíam a igreja em Colossos[1].

Segundo Epafras, conforme relatório apresentado ao apóstolo Paulo, a igreja em Colossos era um ótimo exemplo de exercício no amor cristão[2]. Todavia, era também uma igreja que muita preocupação trazia ao seu pastor[3]. Assim, somos levados ao seguinte questionamento: de onde viam as coisas que, na visão de Epafras, tanto ameaçava a igreja em Colossos?

De acordo com Paulo, o que certamente tomou conhecimento por meio do relatório de Epafras, havia na igreja de Colossos pessoas - muito provavelmente “cristãos” ligados ao judaísmo e a uma forma incipiente de gnosticimo - que tentavam desviar essa igreja do caminho da verdade. Em termos gerais, podemos dizer que esses falsos irmãos, por meio de seus ensinamentos heréticos, negavam a suficiência de Cristo Jesus para a salvação dos crentes de Colossos.

Assim Paulo orienta aos crentes dessa igreja para não se deixarem enganar por ninguém “com raciocínios falazes”[4]; para que tomem todo o cuidado para “que ninguém [os] venha a enredar com sua filosofia e vãs sutilezas, conforme a tradição dos homens, conforme os rudimentos do mundo e não segundo Cristo”[5]; para que não se deixem julgar por quem quer que seja “por causa de comida e bebida, ou dia de festa, ou lua nova, ou sábados, porque tudo isso tem sido sombra das coisas que haviam de vir; porém o corpo é de Cristo”[6] e, finalmente, para que também não deixem que “Ninguém se faça árbitro contra [eles], pretextando humildade e culto dos anjos, baseando-se em visões, enfatuado, sem motivo algum, na sua mente carnal, e não retendo a cabeça, da qual todo o corpo, suprido e bem vinculado por suas juntas e ligamentos, cresce o crescimento que procede de Deus”[7].

Com o mesmo intuito de desviar os crentes de Colossos dos ensinos dos falsos mestres que rodeavam essa igreja e também com o propósito de levá-los a uma melhor compreensão do ministério de Deus, Cristo, o apóstolo Paulo faz em sua carta endereçada a esses irmãos uma profunda reflexão sobre a pessoa e a obra de Cristo.

Ele, segundo Paulo, nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor[8]; Nele temos a redenção, a remissão dos pecados[9]; Nele esta a imagem do Deus invisível[10]; tudo foi criado por meio Dele e para Ele[11]; Ele é antes de todas as coisas e Nele tudo subsiste[12]; Ele é a cabeça da igreja[13] e a esperança da glória[14] e Nele somos circuncidados, sepultados mediante o batismo, e ressuscitados para uma nova vida[15].

Dessa forma, Paulo demonstra para a igreja de Colossos que não existe nenhum fundamento na argumentação daqueles que negam a suficiência de Cristo.  

É interessante, contudo, observarmos que em meio a todo esse grande problema enfrentado pela igreja de Colossos, havia uma pessoa que parecia não ver nada do que estava acontecendo: Arquipo.

Alguns comentaristas defendem que Arquipo pastoreava a igreja de Colossos ao lado de Epafras, que na ocasião da escrita da carta aos colossenses encontrava-se junto ao apóstolo Paulo em Roma[16]. Essa ideia, ainda que não possa ser plenamente confirmada, parece encontrar amparo no testemunho interno da própria carta aos colossenses, visto que nesse documento Arquipo é apresentado como alguém que havia recebido um ministério, bem como pelo testemunho interno da carta à Filemom, onde Arquipo é descrito por Paulo como um companheiro de lutas[17].   

Concluímos, portanto, a partir dessas declarações, que Arquipo, ainda que não fosse o pastor da igreja em Colossos, era alguém que possuía uma posição de importância nessa igreja e até mesmo nas igrejas localizadas na região do rio Licos como Laudicéia e Hierápolis.

Esse destacado líder da igreja primitiva, contudo, como podemos depreender das palavras do apóstolo Paulo a ele especificamente endereçada, era alguém que estava precisando de uma exortação, de um conselho. E esse conselho vem a sua vida por meio de um recado do apóstolo Paulo.    

O que o apóstolo Paulo manda lhe dizer?  Qual é o seu recado para Arquipo? Primeiro, que estivesse atento para o ministério que ele havia recebido. Noutras palavras, o recado de Paulo é para que Arquipo, literalmente, estivesse com os olhos bem abertos para o serviço que fora colocado em suas mãos.  

Isso não quer dizer necessariamente que Arquipo estivesse cometendo ativamente algum erro ou que estivesse passivamente negligenciado o seu ministério, o que também não podemos deixar de considerar. Mas que ele abrisse bem os seus olhos, pois, como vimos, a igreja de Colossos estava enfrentando algumas dificuldades e era preciso, naquela situação, está atento, vigilante.

De modo prático, somos levados a pensar que Arquipo, de alguma forma, deveria contribuir para confirmar os crentes que estavam aos seus cuidados na fé em Cristo Jesus e combater os lobos vorazes que rodeavam o seu rebanho; aqueles que tentavam desvirtuar as suas ovelhas do verdadeiro Cristianismo.  

Segundo, o recado de Paulo a Arquipo é para que o mesmo não perdesse de vista que o ministério ou serviço que ele tinha em suas mãos ele havia recebido no Senhor. A ideia aqui colocada pelo apóstolo Paulo, como ele também destaca no próprio corpo de sua carta aos colossenses, é que Arquipo não estava trabalhando para homens, mas para Deus. E esse Deus não era uma pessoa qualquer, mas justamente o dono de sua vida. 

Essa, sem dúvida, deveria ser a visão de todo o cristão, haja vista, como colocou o apóstolo Paulo, tudo o que fizermos, seja em palavra, seja em ação, devemos fazer em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai[18]. Não obstante, essa deve ser a marca do ministro por excelência, haja vista que o ministro deve ser o exemplo para o rebanho como entende o apóstolo Paulo e fica evidente no chamado que faz aos seus ouvintes para imitá-lo justamente na medida em que ele é um imitador de Cristo. Ou seja, um exemplo de servo.

Saber que estava trabalhando para Deus deveria está impregnado no coração de Arquipo. Isso confortaria o seu coração e, com certeza, o ajudaria a exercer o seu ministério em meio ao clima turbulento que tentava se instalar na igreja de Colossos.   

Terceiro, o recado de Paulo a Arquipo lembrava a esse ministro de Deus que ele não podia perder de vista o cumprimento da obra que fora colocada em suas mãos. Cumprir aqui é tornar pleno. Assim, Paulo quer dizer a Arquipo, no contexto dessa passagem, que ele precisa trabalhar com bastante atenção para concluir a obra que Deus havia colocado em suas mãos. Nesse sentido, Paulo parece advertir a Arquipo que ele precisa tomar cuidado para que a obra de Deus confiada a ele não viesse a ser prejudicada.

Tomando como referência um o último registro bíblico do apóstolo Paulo, percebemos que esse conselho que o apóstolo traz para Arquipo ele levava também para o seu próprio ministério: “Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé”[19].

Diferentes daqueles que começam bem, mas não terminam bem, como será o caso de Demas, Paulo chama a Arquipo para, a semelhança dele, começar bem e terminar bem. O desejo de Paulo, portanto, é ver o sucesso ministerial de seu companheiro de lutas. Isso que é um grande amigo.

Dessa parte expositiva, podemos tirar algumas importantes lições:        

Primeiro, precisamos de amigos como o apóstolo Paulo; amigos que nos digam a verdade, desejem o nosso sucesso e nos ajudem em nossa caminhada cristã.  

Segundo, o conselho de Paulo a Arquipo bem que poderia ser dirigido a cada um de nós. É bem verdade que estamos muito distante do tempo em essas palavras foram escritas. De igual modo, também é verdade que muitos de nós não exercemos um ministério como o de Arquipo. Todavia, é inegável que muitos de nós precisamos estar mais atentos ao ministério que Deus colocou em nossas mãos. Também é verdade que precisamos a cada dia entender que o nosso trabalho é para o Senhor e que, igualmente, precisamos, como fez Paulo, levar esse trabalho a conclusão.      
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[1] Colossenses 1.7.
[2] Colossenses 1.8.
[3] Colossenses 4.13
[4] Colossenses 2.4.
[5] Colossenses 2.8.
[6] Colossenses 2.16,17.
[7] Colossenses 2.18,19.
[8] Colossenses 1.13.
[9]Colossenses 1.14.
[10] Colossenses 1.15.
[11] Colossenses 1.16.
[12] Colossenses 1.17.
[13] Colossenses 1.18.
[14] Colossenses 1.27.
[15] Colossenses 2.11-13.
[16] Filemom 23.
[17] Filemom 2.
[18]Colossenses 3.17.
[19]2 Timóteo 4.7.

Autor: Hebert Leonardo Borges de Souza, ministro batista, bacharel em teologia pelo Seminário Teológico Batista Nacional de Pernambuco e licenciado em física pela Universidade Federal Rural de Pernambuco.   

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Declaração de Fé das Igrejas Batistas Nacionais


A nossa confissão é uma herança de nossos pais na fé, os primeiros batistas que trouxeram a mensagem do evangelho para o Brasil. É uma expressão sucinta e consistente daquilo que acreditamos. É preciso deixar claro que esse documento, em hipótese alguma, em nosso entendimento, é um substituto das Escrituras Sagradas, a nossa regra de fé e conduta por excelência, mas uma auxiliar importantíssimo para as nossas igrejas à medida que, como reconhece o Manual Básico Batista Nacional, contribui para a preservação de nossa identidade [1].  

Esse documento foi redigido por volta de 1833 pelo Reverendo John Newton Brown (1803 – 1868) no Estado de New Hampshire e posteriormente publicado pela convenção batista daquele Estado e tem como tendência geral uma inclinação para o modelo calvinista de interpretação das Sagradas Escrituras [2].

Aqui nos Brasil, esse documento chegou com os primeiros missionários batistas e foi adotado como símbolo confessional pela Primeira Igreja Batista do Brasil em Salvador em 1882, a primeira igreja batista no Brasil fundada com a intenção de alcançar os brasileiros para o Senhor Jesus [3].    

Essa declaração de fé dos primeiros batistas no Brasil é ainda hoje a declaração de fé dos Batistas Nacionais, com exceção de seu terceiro artigo que fora extraído da Confissão dos Batistas do Sul (Convenção de Kansas City), por expressar o entendimento Batista Nacional quanto à doutrina do batismo com o Espírito Santo [4].        

Abaixo expomos o texto da Confissão de Fé dos Batistas Nacionais conforme registrado em seu manual [5]:              

I — DAS ESCRITURAS
Cremos que a Bíblia Sagrada foi escrita por homens divinamente inspirados; que é um tesouro perfeito de instrução celestial, tendo Deus por seu verdadeiro autor; que tem por objetivo a salvação dos homens; que o seu conteúdo é a verdade sem qualquer mescla de erro; que revela os princípios pelos quais Deus nos julgará e por isso é, e continuará sendo, até ao fi m do mundo, o verdadeiro centro da união cristã e padrão supremo pelo qual toda a conduta, credos e opiniões dos homens devem ser julgados.
(2Sm 23.2; SI 119.59,60,111; Pv 30.5,6; Is 8.20; Mc 16.16; Lc 10.10-16; 12.47,48; 16.29-31; Jo 5.38,39; 10.35; 12.47,48; At 1.16; 3.21;11.14;17.11,17; Rm 1.16; 2.12; 3.1-4; 1Co 1.10; 4.3,4; 2Co 13.5; Ef 3.17; 4.3-6; Fp 1.9-11; 2.1,2; 3.16; 1Ts 5.21; 2Tm 3.15-17; 1Pe 1.10,12; 4.11; 2Pe 1.21; 1Jo 4.1,6; Jd 3; Ap 22.18,19).

II — DO VERDADEIRO DEUS
Cremos que há um e somente um Deus vivo e verdadeiro, Espírito infinito e inteligente, cujo nome é Jeová, Criador e Senhor Supremo dos céus e da terra, indizivelmente glorioso em santidade e digno de toda honra, confiança e amor; que na Unidade Divina há três pessoas, o Pai, o Filho e o Espírito Santo, iguais em todas as perfeições divinas e que executam ofícios distintos mas harmônicos na grande obra da Redenção.
(Êx 15.11; Sl 83.18; 147.5; Is 6.3; Jr 10.10; 12.2; Mt 10.37; 28.19; Mc 12.30; Jo 4.24; 5.17; 14.23; 15.26; 17.5,10; At 5.3,4; Rm 1.20; 1Co 2.10,11; 12.4-6; 2Co 13.13; Ef 2.18; Fp 2.5,6; Hb 3.4; 1Pe 1.15,16; 1Jo 10.7; Ap 1.4,5; 4.6-8,11).

III — DO ESPÍRITO SANTO
Cremos que o Espírito Santo é o Espírito de Deus. Ele inspirou homens santos da antiguidade para escrever as escrituras. Capacita homens através de iluminação a compreender a verdade. Exalta a Cristo. Convence do pecado, da justiça e do juízo. Atrai homens ao Salvador e efetua regeneração. Cultiva o caráter cristão, conforta os crentes e concede os dons espirituais pelos quais eles servem a Deus através de sua Igreja. Sela o salvo para o dia da redenção final. A presença dEle no cristão é a segurança de Deus para trazer o salvo à plenitude da estatura de Cristo. Ele ilumina e reveste de poder (batismo no Espírito Santo) o crente e a Igreja para a adoração, evangelismo e serviço.
(Gn 1.2; Jz 14.6; Jó 26.13; SI 51.11; 139.7; Is 61.1-3; Jl 2.28-32; Mt 1.18; 3.16; 4.1; 12.28-32; 28.19; Mc 1.10,12; Lc 1.35; 4.1,18, 19; 11.13; 12.2; 24.49; Jo 4.24; 14.16, 17,26; 16.7-14; At 1.8; 2.1-4, 38; 4.31; 5.3; 6.3; 7.55; 8.17, 39; 10.44; 13.2; 15.28; 16.6; 19.1-6; Rm 8.9-11; 14.16, 26, 27; 1Co 2.10-14; 3.16; 12.3-11; Gl 4.6; Ef 1.13,14; 4.30; 5.18; 1Ts 5.19; 2Tm 3.16; 4:1; 2Tm 1.14; 3.16; Hb 9.8,14; 2Pe 1.21; 1Jo 4.13; 5.6,7; Ap 1.10; 22.17).

IV — DA QUEDA DO HOMEM
Cremos que o homem foi criado em santidade, sob a lei do seu Criador, mas caiu desse estado santo e feliz, por transgressão voluntária, em conseqüência da qual toda a humanidade tornou-se pecadora, não por constrangimento, mas por livre escolha, sendo por natureza destituída completamente daquela santidade que a lei de Deus requer, e positivamente inclinada à prática do mal, estando, sem defesa nem escusa, condenada com justiça à ruína eterna.
(Gn 1.27,31; 2.16; 3.6-24; 6.12; Sl 51.5; Ec 7.29; Is 53.6; Ez 18.20; Mt 20.15; Jo 3.6; At 17.26; Rm 1.18,32; 2.1-16; 3.9-18; 5.15-19; 8.7; Gl 3.10,19,22).

V — DO MEIO DA SALVAÇÃO
Cremos que a salvação dos pecadores é inteiramente de graça pela mediação do Filho de Deus, o qual, segundo desígnio do Pai, assumiu livremente nossa natureza, mas sem pecado, honrou a lei divina pela sua obediência pessoal, e por sua morte realizou completa expiação dos nossos pecados; que, tendo ressurgido dos mortos, está agora entronizado nos céus e que, unindo em sua maravilhosa pessoa a mais terna simpatia com a perfeição divina, está completamente capacitado para ser o Salvador adequado, compassivo e todo-suficiente dos homens.
(Sl 34.22; 89.19; Is 42.21; 53.4,5; Mt 18.11; 20.28; Jo 1.1-14; 3.16; At 15.11; Rm 3.21,24,25; 1Co 3.5,7; 15.1-3; 2Co 5.21; Gl 4.4,5; Ef 2.5, 8,9; Fp 2.6-8; Cl 2.9; 3.1-4; Hb 1.3,8; 2.9-14,18; 4.14; 7.25,26; 8.1; 9.13-15; 12.24; 1Jo 2.2-5; 4.10).

VI — DA JUSTIFICAÇÃO
Cremos que a grande bênção do evangelho, que Cristo assegura aos que nEle crêem, é a Justificação; que esta inclui o perdão dos pecados e a promessa da vida eterna, baseada nos princípios da justiça; que é conferida, não em consideração de quaisquer obras justas que tenhamos feito. Mas exclusivamente pela fé no sangue do Redentor que, em virtude dessa fé, a perfeita justiça de Cristo é livremente imputada por Deus; que ela nos leva ao estado da mais abençoada paz e favor com Deus e nos assegura todas as outras bênçãos necessárias para o tempo e a eternidade.
(Is 53.11,12; Zc 13.1; Mt 6.23; 9.6; Jo 1.16; At 10.43; 13.39; Rm 4.4,5; 5.1-3,9,11,17,19,21,22; 6.23; 8.1; 1Co 1.30,31; Ef 3.8; Fp 3.8,9; 3.24-26; 4.23-25; 1Tm 4.8; Tt 3.5,6; 1Jo 2.12,25).

VII — DA GRATUIDADE DA SALVAÇÃO
Cremos que as bênçãos da salvação cabem gratuitamente a todos por meio do evangelho; que é dever imediato de todos aceitá-las com fé obediente, cordial e penitente, e que nada impede a salvação, ainda mesmo do maior pecador da terra, senão sua perversidade inerente à voluntária rejeição do evangelho, a qual agrava a sua condenação. (Pv 1.24; Is 55.1; Mt 11.20; 23.27; Mc 1.15; Lc 14.17; 19.27; Jo 3.19; 5.40; At 13.46; Rm 1.15,17; 9.32; 16.26; 2Ts 1.8; Ap 22.17).

VIII — DA GRAÇA DA REGENERAÇÃO
Cremos que os pecadores para serem salvos precisam ser regenerados, isto é, nascer de novo; que a regeneração consiste na outorga de uma santa disposição à mente, e que isso se efetua pelo poder do Espírito Santo de um modo que transcende a nossa compreensão, em conexidade com a verdade divina, de maneira a assegurar-nos nossa obediência voluntária ao evangelho; que a evidência da regeneração transparece nos frutos santos do arrependimento e da fé e em novidade de vida.
(Dt 30.6; Ez 36.26; Mt 3.8-10; 7.20; Jo 1.13; 3.3,6,8; 7.1; Rm 2.28,29; 5.5; 8.9; 1Co 1.30; 2.14; 12.3; 2Co 5.17; Gl 5.16-23; Ef 2.14-21; 4.20-24; 5.9; Fp 2.13; Cl 3.9-11;Tg 1.16-18; 1Pe 1.20,25 ; 1Jo 4.7; 5.1,4; Ap 21:27).

IX — DO ARREPENDIMENTO E DA FÉ
Cremos que o arrependimento e a fé são deveres sagrados e também graças inseparáveis, originadas em nossas almas pelo Espírito regenerador de Deus; que, sendo por essas graças convencidos profundamente de nossa culpa, perigo e incapacidade, bem como do caminho da salvação por Cristo, voltamo-nos para Deus com sincera contrição, confissão e súplica por misericórdia, recebendo ao mesmo tempo de coração o Senhor Jesus Cristo como nossoProfeta, Sacerdote e Rei, e confi ando somente nEle como o único e auto-suficiente Salvador.
(SI 2.6; SI 51; Mc 1.15; Lc 15.18-21; 18.13; At 2.37,38; 3.22,23; 11.18; 16.30,31; Rm 10.9-13; 2Co 7.11; Ef 2.8; 2Tm 1.12; Hb 1.8; 4.14; 7.25; Tg 4.7-10; 1Jo 1.8).

X — DO PROPÓSITO DA GRAÇA DE DEUS
Cremos que a eleição é o eterno propósito de Deus, segundo o qual Ele gratuitamente regenera, santifica e salva pecadores; que esse propósito, sendo perfeitamente consentâneo com o livre arbítrio do homem, compreende todos os meios que concorrem para esse fim. Que é gloriosa manifestação da soberana vontade de Deus que é infinitamente livre, sábia, santa e imutável; que exclui inteiramente a jactância e promove a humildade, o amor, a oração, o louvor, a confiança em Deus, bem como a imitação ativa de sua livre misericórdia; que encoraja o uso dos meios de santificação no grau mais elevado e pode ser verificada por seus efeitos em todos aqueles que realmente crêem no evangelho; que é o fundamento de segurança cristã e que o verificá-la, a respeito de nós mesmos, exige e merece a nossa maior diligência.
(Êx 33.18,19; Is 42.16; Jr 31.3; Mt 20.13,16; Lc 18.7; Jo 6.37-40; 10.16; 14.23; 15.16; At 1.24; 13.48; 15.14; Rm 3.27; 4.16; 8.28-30; 9.23,24; 11.5,6,28,29,32-36; 1Co 1.26,31; 3.3,7; 4.7; 9.22;15.10; Ef 1.3-14; Ef 1.16; Ef 1.11; Fp. 3.12; Cl 3.12; 1Ts 1.4-10; 2.12; 2Ts 2.13,14; 2Tm 1.8-10; Hb 6.11; Tg 1.17,18; 2.18; 1Pe 1.1,2; 2.9; 5.10; 2Pe 1.10; 1Jo 4.19).

XI — DA SANTIFICAÇÃO
Cremos que a Santificação é o processo pelo qual, de acordo com a vontade de Deus, somos feitos participantes de sua santidade; que é uma obra progressiva que se inicia na regeneração; que é continua da nos corações dos crentes pela presença do Espírito Santo, o Confirmador e Confortador, no uso contínuo dos meios indicados, especialmente a palavra de Deus, o exame próprio, a renúncia, a vigilância e a oração.
(Pv 4.18; Mt 26.41; Lc 9.23; 11.35; Jo 3.6; Rm 8.5; 2Co 7.1; 13.5,9; Ef 1.4,13,14; 4.3,11,12; 6.18; Fp 1.9-11; 2.12,13; 1Ts 4.3; 5.23; Hb 6.1; 1Pe 2.2; 2Pe 1.5-8; 3.18; 1Jo 2.29).

XII — DA PERSEVERANÇA DOS SANTOS
Cremos que só são crentes verdadeiros aqueles que perseveram até o fim; que a sua ligação perseverante com Cristo é o grande sinal que os distingue dos que professam superficialmente; que uma providência especial vela pelo seu bem-estar e que são guardados pelo poder de Deus mediante a fé para a salvação.
(SI 19.11,12; 121.3; Jr 32.40; Mt 6.30-33; 13.20,21; Jo 6.66-69; 8.31; Rm 8.28; Ef 4.30; Fp 1.6; 2.12,13; Hb 1.14; 13.5; 1Pe 1.5; 1Jo 2.27,28; 3.9; 5.18; Jd 24).

XIII — DA HARMONIA ENTRE A LEI E O EVANGELHO
Cremos que a lei de Deus é a regra eterna e imutável de seu governo moral; que é santa, justa e boa, e que a incapacidade atribuída pelas escrituras ao homem decaído para cumprir os seus preceitos, deriva inteiramente do amor que ele tem pelo pecado; que um dos grandes objetivos do evangelho e dos meios da graça relacionados com o estabelecimento da igreja visível, é o de libertar os homens do pecado e restaurá-los, através de um Mediador, à obediência sincera à santa lei.
(SI 19.7-11; Mt 5.17; 16.17,18; Lc 16.17; Rm 3.20,31; 4.15; 7.7,12,14,22; 8.2-4; 10.4; 1Co 12.28; Gl 3.21; 1Tm 1.15; Hb 8.10; Jd 20,21).

XIV — DA IGREJA EVANGÉLICA
Cremos que uma igreja visível de Cristo é uma congregação de crentes batizados, que se associam por um pacto na fé e comunhão do evangelho; que observam as ordenanças de Cristo e são governa dos por Suas leis; que usam os dons, direitos e privilégios a eles concedidos pela palavra; que seus únicos oficiais, segundo as escrituras, são os bispos ou pastores e os diáconos, cujas qualificações, direitos e deveres estão definidos nas epístolas a Timóteo e a Tito.
(Mt 18.15-20; 28.20; Jo 14.15; 15.11; At 2.41,42,47; 5.11; 8.11; 11.21; 14.23; Rm 16.17-20; 1Co 1.1-13; 4.17; 5.5,12,13; 11.2,23 ; 14.12,23; 2Co 2.17; 8.5; Gl 6.2; Ef 4.7; Fp 1.1,27; 1Ts 4.2; 2Ts 3.6; 1Tm 3.5; Tt 1; 1Jo 4.21; 2Jo 6; 3Jo 9).

XV — DO SÁBADO CRISTÃO
Cremos que o primeiro dia da semana é o Dia do Senhor ou sábado cristão e que deve ser consagrado a propósitos religiosos, com abstenção de todo trabalho secular e recreações mundanas e pela observância piedosa de todos os meios de graça, quer privados quer públicos, e também pela preparação para aquele repouso que resta para o povo de Deus.
(Gn 2.3; 46.2-8; Êx 20.8; 31.14-18; SI 25.8; 86.3; 118.24; Is 58.13; Mc 2.27; Jo 20.19; At 17.2,3; 20.7; 1Co 16.1,2; Cl 2.16,17; Hb 4.3-11; 10.24,26; Ap 1.10).

XVI — DO GOVERNO CIVIL
Cremos que o governo civil é de ordenação divina para os interesses e a boa ordem da sociedade humana, e que os magistrados devem ser objeto de nossas orações, bem como devem ser conscientemente honrados e obedecidos, exceto, exclusivamente, nas coisas que se opõem à vontade de nosso Senhor Jesus Cristo, que é o único Senhor da consciência e o Príncipe dos reis da terra.
(Êx 18.23; Dt 18.18; 2Sm 23.3; SI 2; 9; 71.11; Dn 3.15-18; 6.7-10; Mt 10.28; 23.10; At 4.18-20; 5.29; Rm 13.1-7; 14.4,9-13; 1Tm 2.1-3; Ap 19.16).

XVII — DOS JUSTOS E DOS ÍMPIOS
Cremos que há uma diferença radical e essencial entre os justos e os ímpios; que somente aqueles que pela fé são justificados em o nome do Senhor Jesus e santificados pelo Espírito de nosso Deus são verdadeiramente justos à face de Deus, enquanto que todos aqueles que continuam na impenitência e na incredulidade são ímpios aos seus olhos e se encontram sob a maldição; que essa distinção permanece entre os homens, quer na morte, quer após a morte.
(Gn 18.23; Êx 3.17; SI 10.4; Pv 10.24; 11.31; 12.26; 14.32; Is 5.20; 55.6,7; 57.21; Jr 15.19; 18.24; Mt 3.18; 7.13,14; Lc 12.4,5; 9.23-26; 16.25; Jo 3.36; 8.21- 24; 12.15,16; At 10.34,35; Rm 1.17; 3.7; 6.15; 7:6; 8.18,22; 1Co 11.32; Gl 3.10; 1Pe 4.17,18; 1Jo 2.29; 1Jo 5.19).

XVIII — DO MUNDO VINDOURO
Cremos que se aproxima o fi m do mundo; que no último dia, Cristo descerá dos céus e levantará os mortos do túmulo para a recompensa final; que ocorrerá então uma solene separação; que os ímpios serão entregues à punição sem fim e os justos à bem-aventurança para sempre; e que esse julgamento, baseado nos princípios da justiça, determinará o estado final dos homens no céu ou no inferno.
(Dn 12.2; Mt 13.37-43; 24.30; 25.31; 28.20; Mc 9.43-48; Lc 14.14; Jo 4.36; 5.28,29; 6.40; 11.25,26; At 1.11; 3.21; 10.42; 17.31; 24.15; Rm 2.2-16; 3.5; 1Co 4.5; 6.9,10; 7.29,31; 15.12,58; 2Co 4.18; 5.10,11; Fp 3.19; 1Ts 4.13-17; 5.1-11; 2Ts 1.6-12; 2Tm 1.10; Hb 1.10-12; 6.1,2; 9.28; 1Pe 4.7; 2Pe 2.9; 3.3-13; 1Jo 2.17,28; 4.17; Ap 1.7; 20.11,12; 22.11).


Fontes:
[1] Manual Básico Batista Nacional, p. 52.  
[2] Disponível em: . Acesso em: 15 de Janeiro de 2014.
[3] OLIVEIRA, Betty Antunes de. Centelha em Restolho Seco. 2ª ed., São Paulo: Vida Nova, 2005, p. 282-83.
[4] Tognini, Enéas. Eclesiologia: A doutrina da Igreja. 3ª Ed., São Paulo: Arte Editorial, 2010, p. 147.
[5] Manual Básico Batista Nacional, p. 21-26.  

Autor: Hebet Leonardo Borges de Souza, ministro batista, Bacharel em Teologia pelo SETEBAN_PE e Licenciado em Física pela UFRPE.
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