sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

A POLÍTICA, O PASTOR E AS TRINTA MOEDAS DE PRATA.


            Acostumamos-nos a falar sobre política apenas em época de campanha eleitoral fazendo, de certa forma, de nosso discurso nessa área quase que um subproduto do partidarismo de interesses que permeia a alma da política brasileira desde os dias de Cabral até os nossos dias. Nesse sentido, como dizem alguns sociólogos, mesmo contrariando a recomendação paulina de não se deixar modelar pelos padrões mundanos, a igreja é produto do meio em que vive.
            Contrariando essa marca da sociedade brasileira de só refletir sobre política a cada disputa eleitoral, o pastor batista Israel Guerra Filho, ex-deputado pernambucano, declarara, num encontro de pastores, que bom seria que nossa gente pensasse sobre política antes das eleições. Dessa forma, nossos púlpitos não seriam descaracterizados e a igreja ampliaria a sua consciência sobre a realidade política que a envolve.
            Acredito que esta seria uma rica oportunidade para a igreja brasileira. Sem sombra de dúvida, ela iria perceber que a Bíblia tem muito mais a lhe ensinar sobre política do que geralmente pensa; que cada profeta estava muito mais sintonizado com a realidade política do seu povo do que muitos pastores da atualidade e que o próprio Deus se interessa pelas questões políticas do mundo.
            Se uma reflexão sobre política tem bases bíblicas e traria inúmeros benefícios para o povo de Deus na atualidade, devemos levantar o seguinte questionamento: Por que não refletimos sistematicamente sobre este assunto em nossas igrejas? A razão para a ausência de reflexão nesta área me parece fundamentar-se na definição internalizada, às vezes inconscientemente, que temos de político.  Ou seja, embora em sua definição o termo política aponte primariamente para as ideias de ciência e arte, a igreja brasileira parece ter se apropriado de sua definição mais pejorativa: política é jogo e jogo sujo.
            Dirigida por seus líderes para este jogo sujo, a igreja brasileira revela, em grande medida, a sua incapacidade de fazer política num nível mais elevado, isto é, no nível científico e artístico e, em consequência disso, deixa de contribuir para o desenvolvimento de uma nação mais justa. Entretanto, este é um tipo de postura que não só revela a nossa incapacidade de fazer política, mas também o distanciamento dos líderes da igreja brasileira dos valores do reino.
            Nesse sentido, infelizmente, muitos pastores são parecidos com Judas. Contudo, enquanto trocam Jesus e os valores do reino por trinta moedas de prata, se esquecem que este, embora lhes pareça um bom caminho, na verdade é um caminho de morte.  

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