sexta-feira, 19 de setembro de 2014

ROSIVALDO DE ARAÚJO TEM RAZÃO

Convertido a Jesus Cristo quando era adolescente em Lage, na Bahia, e vocacionado para o ministério quando era membro da Igreja Batista Sião, em Salvador, o pastor Rosivaldo de Araújo, 76 anos, casado e pai de seis filhos, todos no evangelho, é fundador e presidente do Ministério Obra Santa. Já foi pastor de igrejas da Convenção Batista Nacional em Recife, Belém, Belo Horizonte e Salvador. É autor de “Natal -- Celebração Cristã ou Festa Pagã?”, “O Grande Júri do Apocalipse”, “Mais que Caráter” e outros. As declarações a seguir foram retiradas do jornal “O Batista Nacional” (janeiro/março de 2009, p. 5).

“Surge em nosso meio uma tendência perigosa de se querer criar um cristianismo sem Cristo. De cada dez mensagens pregadas em rádio ou televisão, sete se referem ao Antigo Testamento. Até parece que o Novo Testamento esgotou-se e não tem mais nada a dar, ou que os temas da graça, do reino dos céus e da pessoa de Jesus Cristo já não mais empolgam ninguém e tornaram-se lugar comum.”

“Contrastando com o cristianismo apostólico, que se empolgava com os ensinamentos de Cristo e os temas do reino, temo que cheguemos ao fim deste século com o cristianismo tão secularizado e racionalista que não passará de um mero humanismo.”

“Há pessoas atraídas pela sombra benfazeja da Videira, pelos frutos da Videira (curas, soluções de problemas, milagres, sinais) e pela beleza, verdor e viçosidade da Videira -- mas que não estão ligadas ao caule da Videira.”

“Não existe um plano B como muitos têm pregado. O plano A seria para aqueles que creem em Jesus e que o aceitam como seu Salvador e Filho único de Deus, e o plano B para aqueles que, embora não sejam cristãos nem aceitem a Cristo, têm uma conduta íntegra e são tementes a Deus. Pelo que consta, Deus não dispõe de um plano B para pessoas boazinhas nem para aqueles que, por quaisquer motivos, não quiseram ou não puderam aceitar a suficiência de Jesus Cristo como Salvador.”

“Jesus mesmo declarou taxativamente: ‘Quem crê no Filho tem a vida eterna; já quem rejeita o Filho não verá a vida, mas a ira de Deus permanece sobre ele’ (Jo 3.36).

Não podemos perder de vista a suficiência de Cristo no cristianismo. Ele centraliza em si todas as aspirações do homem e atende a todos os ideais do cristianismo!”

Fonte: http://www.ultimato.com.br/revista/artigos/319/rosivaldo-de-araujo-tem-razao

terça-feira, 16 de setembro de 2014

O BATISTA E A POLÍTICA


           Tradicionalmente o protestantismo de matriz brasileira rotulou uma grande quantidade de coisas como pertencentes ao reino do capeta. Isso, invariavelmente, contribuiu de forma direta e significativa para o não envolvimento dos evangélicos em inúmeros setores da sociedade como, por exemplo, o cinema, o teatro, a televisão, o ensino superior e a política.
            Esse tipo de postura, contudo, é algo que parece contrariar o evangelho pregado por Cristo Jesus, o qual chamou e chama os seus discípulos e discípulas a se posicionarem neste mundo de podridão e trevas como sal e luz (Mateus 5.13-16) e a fazer do reino e da justiça a prioridade das prioridades de suas existências (Mateus 6.33).   
            Como obedecer a essas palavras de Jesus? Como viver num mundo de podridão como sal? Como se manifestar como luz num mundo de trevas? Como fazer da justiça, num mundo de injustiça, o alvo de nossa existência?
            Como em Jesus não existe uma dicotomia entre o discurso e a prática, o seu próprio exemplo de vida nos ajuda a encontrar respostas para essas questões. Assim, a nossa grande questão passa a ser: Como Jesus viveu? O apóstolo Pedro, uma das testemunhas do ministério de Jesus, nos diz que ele “andou fazendo o bem, e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com ele” (Atos 10.38). Noutra passagem, encontramos o evangelista Mateus trazendo um testemunho semelhante sobre Jesus: “percorria Jesus todas as cidades e aldeias, ensinando nas sinagogas deles, e pregando o evangelho do reino, e curando todas as enfermidades e moléstias entre o povo” (Mateus 9.35).
            A partir do exemplo de vida de Jesus, somos levados a entender que todo o cristão deve viver na prática das boas obras, pois “Aquele que diz que está nele, também deve andar como ele andou” (1 João 2.6). As Escrituras também nos ensinam que a prática das obras aponta para a obra da salvação operada por Deus em nossas vidas, “Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas” (Efésios 2.10).
            Como a política é algo que faz parte do campo das obras humanas e pode, dependendo de sua natureza boa ou má, abençoar a vida de muitas pessoas, não temos dúvida que um cristão tem o dever de se envolver, de alguma forma, com as questões políticas de seu tempo. E que ao omitir-se ou esquivar-se dessa responsabilidade contribui para pecaminosamente incorre em práticas pecaminosas, pois “Aquele que sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado” (Tiago 4.17).
            Esse é um tipo de concepção que pode soar um pouco estranho para muitos batistas, visto que essa é uma tradição do protestantismo histórico que defende com pioneirismo a separação entre igreja e Estado. Essa é uma estranheza, contudo, apenas aparente, pois, o que os batistas defenderam com o princípio da separação entre igreja e Estado, diferente dos anabatistas[1], não fora um estilo de vida apolítico, mas uma igreja livre da ingerência do Estado, conforme podemos depreender do trecho do documento Princípios Batistas:   

Tanto a igreja como o Estado são ordenados por Deus e responsáveis perante Ele. Cada um é distinto; cada um tem um propósito divino; nenhum deve transgredir os direitos do outro. Devem permanecer separados, mas igualmente manter a devida relação entre si e para com Deus[2].  
           
            Uma questão de extrema importância para a nossa reflexão que se levanta dessa declaração é a seguinte: Como a igreja pode manter a devida relação com o Estado? Entre tantas relações possíveis, os batistas entendiam que cada cristão tem o dever de “aceitar suas responsabilidades de sustentar o Estado e obedecer ao poder civil, de acordo com os princípios cristãos[3].
            Nessa mesma linha de raciocínio, ao destacar que os batistas são cidadãos de dois mundos – o reino de Deus e o estado político – o entendimento batista é que todo o cristão “Deve mostrar respeito para com aqueles que interpretam a lei, e a põem em vigor, e participar ativamente na vida de sua comunidade, procurando conciliar a vida social, econômica e política com o espírito e princípios cristãos[4].
            A partir dessas declarações, compreendemos que o povo batista entendia que um verdadeiro cristão não devia apenas orar pelas autoridades, mas participar ativamente da vida política de sua comunidade. Em termos práticos, isso significa que a mordomia cristã envolve “responsabilidades como o voto, o pagamento de impostos e o apoio à legislação digna”[5].
            Essa visão batista sobre o papel social de cada crente aponta para a importância política que tem a igreja na sociedade:

A igreja deve ao Estado o reforço moral e espiritual para a lei e a ordem, bem como, a proclamação clara das verdades que fundamentam a justiça e a paz. A igreja tem a responsabilidade, tanto de orar pelo Estado, quanto de declarar o juízo divino em relação ao governo, as responsabilidades de uma cidadania autêntica e consciente, e aos direitos de todas as pessoas[6].

            Noutro parte do documento Princípios Batistas, esse papel político da igreja é destacado de forma ainda mais intensa:   

A igreja e o cristão, individualmente, têm a obrigação de opor-se ao mal e trabalhar para a eliminação de tudo que corrompa e degrade a vida humana. A igreja deve tomar posição definida em relação à justiça e trabalhar fervorosamente pelo respeito mútuo, à fraternidade, à retidão, à paz, em todas as relações entre os homens, raças e nações[7].

            Embora essas sejam marcas distintivas do povo batista ao longo de sua história, o contexto sócio-político brasileiro parece indicar que o povo batista no Brasil, de modo geral, não mais consegue relacionar a fé cristã com a política. O resultado concreto dessa falta de entendimento ou omissão tem se manifestado no desajuste moral e espiritual de nossa sociedade.



[1] Os anabatistas entendem que os cristãos não devem se envolver com o Estado.
[2] Manual Básico Batista Nacional e Manual da ORMIBAN, p. 15.
[3] Ibidem, p. 15.
[4] Ibidem, p. 13.
[5] Ibidem, p. 13.
[6] Ibidem, p. 15.
[7] Ibidem, p. 15,16.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

ROSALEE APPLEBY – PÉS FRANCISCANO, ALMA AVIVADA


Rosalee Mills Appleby (1895–1991) veio para o Brasil em 1924 como missionária, tendo aqui permanecido por 36 anos. Retornou à sua terra natal em fevereiro de 1960. Sua viagem dos Estados Unidos para o Brasil aconteceu por ocasião de sua lua de mel. Ficou casada por apenas catorze meses. Pouco mais de um ano depois de sua chegada ao Brasil, aprouve ao Senhor chamar para si o seu esposo. Aos 30 anos, viúva e com um filho de colo, nunca pensou em se casar novamente. Para ela era requisito indispensável que seu futuro esposo fosse apaixonado por missões no Brasil. Não tendo encontrado homem algum com este perfil, assumiu a viuvez para sempre.

Seu ministério consistiu, em maior parte, no evangelismo pessoal. Porém Rosalee foi também missionária, professora, poetisa e doutrinadora. Em tudo o que fazia, irradiava uma paz indescritível, uma força de vontade invejável e uma firme determinação de fazer a vontade do Senhor.

Rosalee elegeu para si um estilo de vida franciscano. De seu próprio sustento tirava a maior parte para investir no reino de Deus. Nunca teve carro, casa ou quaisquer bens materiais, pois nutria a certeza de que seu tesouro estava nos céus, “onde a traça e a ferrugem não destroem” (Mt 6.20). Muitos foram os obreiros nacionais ajudados financeiramente por ela. Não raro encontramos por este Brasil afora irmãs com o nome de Rosalee, em uma clara demonstração de gratidão e carinho por Rosalee Appleby. Existem obreiros que nunca tiveram o prazer de conhecê-la pessoalmente, mas que foram grandemente abençoados por aquela missionária de físico franzino e voz meiga, mas com um coração que pulsava forte, apaixonado pelo Brasil.

Seu ministério foi concentrado em Minas Gerais, principalmente em Belo Horizonte. Teve participação efetiva na fundação de quatro igrejas e plantou outras quatro, todas na capital mineira, sendo duas na região metropolitana. Sua vida falava tão alto quanto suas palavras. Seu testemunho pessoal nunca foi contestado. Tornou-se pioneira no Brasil na divulgação e implantação das doutrinas relativas ao batismo no Espírito Santo e dos dons espirituais como realidade para os nossos dias, de forma mais incisiva no seio das igrejas batistas históricas ou conservadoras. Convidada que era para falar em congressos diversos, destacava-se como oradora e tinha uma unção especial para promover e dirigir reuniões de oração em que, quase sempre, o tema era a necessidade de buscarmos um despertamento espiritual para nossas vidas e nossas igrejas. Sua maturidade cristã foi construída sobre os joelhos. Gastava horas e horas em oração, às vezes chegando à exaustão. No evangelismo pessoal era imbatível. Sempre carregava em sua bolsa porções do evangelho para que, a qualquer momento propício, pudesse delas lançar mão.

Morreu aos 96 anos em Canton, Mississippi, Estados Unidos, mas sua vida continua a inspirar muitos de nós. Rosalee Appleby nos brindou com inúmeras obras de sua pena. Entre as mais conhecidas estão "Vida Vitoriosa", "Ouro Incenso e Mirra" e "Florilégio Cristão".

José Hilário Pires de Souza é pastor presidente da Igreja Evangélica Batista de Belo Horizonte, MG, advogado e jornalista. Este artigo baseou-se em sua dissertação de pós-graduação em missiologia no Centro Evangélico de Missões (CEM), em Viçosa, MG.

Fonte:http://www.ultimato.com.br/revista/artigos/342/rosalee-appleby-pes-franciscanos-alma-avivada
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